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Dom, Abr

Desafios da educação pública na pandemia passam por aprimorar o ensino remoto

Notícias EAD

Redes sociais, televisão aberta, WhatsApp e outros aplicativos, rádio, bibliotecas virtuais e distribuição de materiais didáticos são algumas das estratégias usadas Brasil afora para manter o vínculo entre os alunos da educação básica com suas escolas durante o período de suspensão das atividades presenciais em razão da pandemia. Com o apoio das administrações públicas e até mesmo por iniciativa própria dos professores, diversas ações servem de bons exemplos para driblar alguns dos desafios do ensino remoto: evasão escolar e falta de acesso à internet.

Redes sociais, televisão aberta, WhatsApp e outros aplicativos, rádio, bibliotecas virtuais e distribuição de materiais didáticos são algumas das estratégias usadas Brasil afora para manter o vínculo entre os alunos da educação básica com suas escolas durante o período de suspensão das atividades presenciais em razão da pandemia. Com o apoio das administrações públicas e até mesmo por iniciativa própria dos professores, diversas ações servem de bons exemplos para driblar alguns dos desafios do ensino remoto: evasão escolar e falta de acesso à internet.

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De acordo com o relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) — publicado em janeiro deste ano e que traz uma compilação de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) que avaliou a situação da educação durante a pandemia —, em outubro de 2020, o percentual de estudantes de seis a 17 anos que não frequentavam a escola no país chegava a 3,8% (1.380.891 milhão). Para termos de comparação, a média nacional de 2019 era de 2%, segundo a Pnad Contínua. Somam-se a esses mais de 1,3 milhão, outros 4.125.429 milhões que afirmaram frequentar a escola, porém, sem acesso às atividades. Assim, as estimativas apontam para mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes que tiveram o direito à educação negado no ano passado.

Outro levantamento, dessa vez do Datafolha, encomendado pelo C6 Bank e também divulgado em janeiro, revelou que cerca de 4 milhões de brasileiros abandonaram os estudos em 2020. No Ensino Médio, esse percentual foi de 10,8%, enquanto no Fundamental o índice foi de 4,6%. É nesse cenário de dificuldades e incertezas que ações conjuntas ou individuais ganham força na tentativa de reter esses alunos na rede evitando o maior fantasma da educação: a evasão.

No Rio Grande do Sul, a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) lançou mão de uma série de ações para viabilizar o ensino a distância. Houve investimento para compra de 50 mil Chromebooks, que ainda estão sendo distribuídos para os professores da rede; um programa de internet patrocinada, que, em parceria com a Assembleia Legislativa, viabilizou o acesso para alunos e professores para uso exclusivo nas ferramentas relacionadas às aulas; qualificação de professores para atuação nas aulas remotas; adesão a plataformas de leitura e transmissão de aulas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela TVE.

Com essas iniciativas, o Rio Grande do Sul foi o Estado que registrou maior índice de acesso à plataforma Google for Education, segundo dados da própria companhia. Conforme o Google, o RS conseguiu que 82,86% dos alunos da rede pública tivessem acesso ao Google for Education, ficando na frente dos demais Estados brasileiros e do Distrito Federal.

O melhor ensino possível
Se antes da pandemia a evasão escolar brasileira se dava por três grandes razões — defasagem série-idade, dificuldade de aprendizado e saída dos jovens para o mercado de trabalho —, com a circulação do coronavírus pelo país essa realidade se modificou. Agora, a fragilidade do sistema de ensino remoto e as perdas econômicas, que obrigam muitos alunos a irem atrás de um emprego para ajudar na renda familiar, se tornaram preponderantes, diz Ivan Gontijo, coordenador de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação. Nesse contexto, houve um efeito dominó: sem internet ou acesso às atividades escolares, os alunos se desestimularam e acabaram rompendo os vínculos com as escolas e deixando os estudos.

— Todo mundo foi prejudicado, mas estudantes com mais dificuldade, menos acesso e mais vulneráveis foram os mais prejudicados. Os impactos são gigantescos e cruéis, pois afetam, principalmente, os estudantes que mais precisam das escolas — observa Gontijo.

Para tentar estancar esse problema, o Instituto Rui Barbosa (IRB), por meio do seu Comitê Técnico da Educação (CTE), emitiu, ao longo da pandemia, uma série de documentos e notas técnicas com recomendações para os municípios. Nos textos, foram tratados temas como distribuição da merenda escolar, cuidados com a privacidade dos dados exigidos por algumas plataformas, priorização dos professores na vacinação contra a covid-19 e também a busca ativa que, simplificadamente, significa ir atrás de crianças e adolescentes que romperam os vínculos com a escola.

— Evasão e abandono são problemas crônicos no Brasil. As estimativas para 2020 eram de que 1,5 milhão iriam se desprender das redes, mas vimos que isso superou os 5 milhões. O diagnóstico está colocado. Qual é o nosso desafio? Verificar se todas as crianças e adolescentes estão na escola. Procuramos ajudar na busca de soluções e uma delas é a busca ativa: ir ao encontro desses estudantes que deixaram as escolas nesse período — afirma Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Contas do RS e presidente do CTE do IRB.

A proposta, diz Miola, além de estimular que os municípios usem a plataforma já existente de Busca Ativa da Unicef, é incluir outros mecanismos, como mobilizar redes de saúde, de assistência social e conselhos tutelares a fim de sensibilizar as famílias da importância da retomada dos laços com a escola.

— A gente tem problemas, mas está em busca de soluções. Queremos ser críticos, mas também ajudar — completa o conselheiro do RS.

Para além dos efeitos imediatos da pandemia no ensino, ainda é preciso projetar o que está por vir e compreender como esse ano letivo conturbado de 2020 vai impactar na renda dessas pessoas futuramente.

— São impactos muito grandes que precisam ser iluminados para trabalhar e fazer que, na retomada, se mitigue eles. Quanto mais tempo ficam fechadas (as escolas), maiores os impactos. Mas isso não significa que tem que abrir a qualquer custo, tem que olhar números da pandemia — afirma o membro do Todos pela Educação.

Embora seja preciso percorrer um longo caminho para garantir o acesso adequado à educação a distância, busca de soluções e boas iniciativas não faltam. O próprio Todos Pela Educação elaborou uma nota listando as medidas necessárias para garantir uma educação de qualidade no retorno às aulas presenciais que, como resume Gontijo, trata da segurança sanitária, das adaptações para receber e ambientar novamente os alunos às escolas e também em como diagnosticar as condições em que os alunos retornam. Enquanto a volta presencial ainda não tem perspectivas, a melhor solução, afirma o coordenador do Todos Pela Educação, é oferecer o melhor ensino remoto possível.

— Eu destacaria: garantir a conectividade dos estudantes e investir em diversidade de estratégia. Quanto maior ela for, maior a chance de alcançar os alunos. Não ficar só na aula. Ter aplicativo, outras plataformas e material impresso — diz Gontijo.

Fonte: Gauchazh