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Dom, Abr

Cyberbullying é desafio para a educação socioemocional durante o EaD

Notícias EAD

No Dia Nacional de Combate ao Bullying e a Violência na Escola, celebrado nesta quarta-feira (7), estar atento a essas situações e abrir espaços de diálogo são fundamentais

No Dia Nacional de Combate ao Bullying e a Violência na Escola, celebrado nesta quarta-feira (7), estar atento a essas situações e abrir espaços de diálogo são fundamentais

Neste 7 de abril, Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, a educação enfrenta novos desafios relativos à violência sofrida por estudantes. Adaptadas ao modelo presencia, onde são impactadas pelo bullying, as instituições de ensino entram agora na dimensão virtual e podem ser espaço para práticas do cyberbullying, antes fora do ambiente escolar.

No contexto de pandemia, não só as modalidades de ensino, mas as demandas dos estudantes transformaram as práticas de educação socioemocional nas escolas. Para trabalhar essas novas demandas e atuar no combate à violência escolas, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ressalta a importância de habilidades de inteligência emocional, implementadas obrigatoriamente a partir de 2020, para um ambiente mais acolhedor e diverso.

A data do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola foi escolhida em decorrência do marco da tragédia de Realengo (RJ), quando um ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira atirou em estudantes presentes na instituição. O objetivo da instituição desse marco é alertar para a importância de combater a violência escolar.

De acordo com a BNCC, é responsabilidade da escola trabalhar competências que tenham compromisso “com a formação humana integral e a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva”. Ao definir as competências, a diretriz afirma reconhecer que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza”.

Com o uso mais intensificado da internet em decorrência do isolamento social, tem sido necessário se atentar aos problemas presentes no cenário virtual. Uma dessas questões que impactam diariamente a vida de crianças e adolescentes é o bullying praticado virtualmente, ou cyberbullying.

De acordo com Joana London, psicóloga e gerente pedagógica do Laboratório Inteligência de Vida (LIV), organização que auxilia escolas no desenvolvimento de um programa de ensino socioemocional, esse tópico era discutido na educação, mas não estava diretamente ligado à atividade escolar. “A diferença é que ele acontecia fora da escola, era justamente o campo onde a escola não tinha acesso”, explica.

Ela reforça que os educadores devem ficar atentos às movimentações no chat durante à aula e possíveis constrangimentos. Outra questão importante é a obrigatoriedade das câmeras ligadas durante a aula, questão que perpassa por indicativos socioeconômicos, como a estrutura da própria casa do estudante. “A gente não estava preparado para receber a escola em casa”, aponta a especialista.

Como trabalhar espaços de acolhimento nas escolas

No início das atividades remotas, Rodrigo Retka, coordenador da área socioemocional da escola Pensi, no Rio de Janeiro, afirma que a escola começou a trabalhar temas relativos ao cyberbullying e sobre como se comportar no meio virtual. “Toda a questão do bullying na internet envolve o aspecto de saúde na rede, como funciona esse universo, como o anonimato pode ser um problema, como não cair na armadilha de se valer do anonimato para prejudicar a vida dos outros”, explica o docente.

Para trabalhar esse uso mais saudável das ferramentas virtuais, a escola propôs uma integração entre os alunos das diferentes unidades da rede de ensino por meio de mensagens. “A internet é muito tóxica. Então, mostrar para eles que a gente pode ressignificar essas coisas e trabalhar com as coisas boas também é interessante para eles verem o outro lado”, explica.

As aulas do Laboratório de Inteligência e Vida (LIV) são peça chave para o combate ao bullying. Com menor participação estudantil nas disciplinas regulares, o docente relata que as aulas de LIV são uma espécie de refúgio onde os discentes se sentem mais à vontade para se expressar. “Os alunos ficavam ávidos para trazer suas próprias experiências”, conta.

“Eu acho que essa tela gelada do computador criou uma barreira”, explica. Rodrigo Retka ainda afirma que o afastamento no ensino remoto tem relação com a timidez. Segundo ele, ao ligar a câmera para tirar uma dúvida, o aluno pode ficar constrangido por sentir que os olhares estão todos voltados para ele.

Dificuldades da educação socioemocional no EaD

A psicóloga e gerente pedagógica do LIV, Joana London, explica que o mundo on-line limita a compreensão do outro. Isso ocorre pois as pessoas estão adaptadas às trocas e relações de modo presencial. “Adaptar isso para a realidade virtual tem sido um desafio porque o socioemocional tem a ver com o olho no olho, com a expressão corporal”, argumenta.

De acordo com a gerente do LIV, o espaço da educação socioemocional tem sido mais valorizado pelos alunos devido à impossibilidade de trocas e relacionamento com outras crianças. “É o momento que estão encontrando os amigos para uma troca menos voltada para a passagem de conteúdos”, aponta a psicóloga.

Ela ainda ressalta que o trabalho socioemocional ainda não é visto com a devida seriedade e que é necessário estruturar projetos permanentes. “A gente não pode reduzir o trabalho socioemocional a algo pontual, tem que ser um trabalho de cultura da escola, de tornar um pilar”, explica.

“Estimulamos que a escola tenha momentos específicos dedicados a isso, mas a nossa ideia é que esses minutos transbordem”, ressalta.

Incertezas acerca das modalidades de ensino abalam os estudantes

As transições entre as modalidades híbrida, presencial e remota, além das incertezas em relação ao ensino durante a pandemia também abalam os estudantes. Sejam eles do ensino básico ou superior.

De acordo com Simone Lavorato, psicóloga, professora de neuroeducação e atuante na área de competências socioemocionais na Rede Pedagógica, o “vai-vem” de modalidades traz insegurança para os jovens.

“Ele não sabe o que vai acontecer com ele e essa insegurança abala emocionalmente a criança”, explica. Além disso, quando o estudante retorna ao ensino presencial “ele tem um contato com os amigos, mas não é da mesma forma”. Todos esses fatores podem gerar um desgaste nos alunos, nos professores e nos pais, que sofreram com um aumento de carga de responsabilidades com a necessidade de maior acompanhamento dos filhos.

A doutora em educação recomenda se manter calmo e sem pensar muito no futuro. “Essa expectativa de que as coisas vão normalizar gera uma ansiedade”, explica.

Simone ainda aponta que “a competência socioemocional deve ser desenvolvida de maneira interdisciplinar e transdisciplinar”. A psicóloga explica que o espaço do desenvolvimento dessas habilidades deve ser implementado não só em um horário específico, mas integrar as demais disciplinas da grade curricular por meio de atividades e dinâmicas.

Fonte: Correio Braziliense