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Dom, Fev

Não há nada de errado com a modalidade de Educação a Distância (EAD)

Notícias EAD

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) divulgou, recentemente, o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2022. Muitas instituições de ensino superior (IES) obtiveram um desempenho abaixo do esperado. Desde então, estabeleceu-se um amplo debate público sobre a qualidade da educação no Brasil. Dentre as duas modalidades de ensino existentes, presencial e a distância (EAD), é a segunda que vem recebendo as mais duras críticas. Mas, esses ataques generalizados são merecidos? O baixo desempenho no Enade está relacionado à modalidade de ensino ou à falha individual de determinadas instituições (independentemente da modalidade)?

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC) divulgou, recentemente, o resultado do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) 2022. Muitas instituições de ensino superior (IES) obtiveram um desempenho abaixo do esperado. Desde então, estabeleceu-se um amplo debate público sobre a qualidade da educação no Brasil. Dentre as duas modalidades de ensino existentes, presencial e a distância (EAD), é a segunda que vem recebendo as mais duras críticas. Mas, esses ataques generalizados são merecidos? O baixo desempenho no Enade está relacionado à modalidade de ensino ou à falha individual de determinadas instituições (independentemente da modalidade)?

A resposta para a pergunta é clara e objetiva. Analisando-se os resultados do Enade 2022, percebe-se um equilíbrio na qualidade da aprendizagem proporcionada por IES presenciais e EAD. Ou seja, existem modelos pedagógicos bem-sucedidos nas duas modalidades. A diferença é que, além de formar profissionais tão competentes quanto aqueles oriundos da educação presencial, a EAD cumpre uma função social indiscutível no Brasil. A modalidade permite que pessoas, majoritariamente das classes C e D, estudem por um preço acessível e, além disso, com o uso da tecnologia, consegue fazer a educação chegar aos quatro cantos do Brasil, realidade, essa, praticamente impossível para a educação presencial, haja vista as dimensões continentais do nosso país.

Para esclarecer ainda mais essa questão, vamos fazer uma análise profunda dos dados do Enade 2022. As tabelas a seguir comparam o desempenho dos cursos de graduação de IES públicas e privadas.

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Estratificação dos dados
Primeiramente, foram excluídos da planilha do Enade 2022 os cursos sem conceito. Em seguida, foram excluídos os cursos de Contabilidade e Design de Moda, cujas notas apresentaram uma discrepância maior que 2 vezes o desvio-padrão em relação ao resto do conjunto analisado. Posteriormente, separou-se as planilhas em públicas e privadas. A categoria administrativa de regime especial foi agrupada juntamente com as IES privadas (por existir cobrança de mensalidades). Em seguida, cada categoria foi dividida em presencial e EAD.

Uma vez estratificadas as planilhas, tirou-se a média dos seguintes indicadores: nota bruta de formação geral (FG); nota bruta de conhecimento (componente) específico (CE); e do conceito Enade contínuo. Posteriormente, calculou-se a diferença entre CE – FG, conforme exposto na Tabela 1, a seguir:

Tabela 1 — Comparação da média de notas e conceitos dos cursos considerados. Estratificação e Processamento: EAD em Revista. Fonte: Inep

 

tabela 1

 

Também foi criada uma tabela (Tabela 2, a seguir) que apresenta a média das notas e conceitos de todos os cursos das 10 maiores IES de EAD do Brasil.

Tabela 2 — Média geral dos cursos avaliados no Enade entre as 10 IES EAD Privadas com mais alunos matriculados em 2022. Estratificação e Processamento: EAD em Revista. Fonte: Inep/Censo e Enade 2022

tabela 2

Análises
IES Públicas/Presenciais. De fato, a educação superior presencial pública apresenta um desempenho superior, atingindo nesta análise o conceito médio 4 nos cursos avaliados. Observa-se, no entanto, que a nota de formação geral (que mede o nível cultural educacional do aluno) neste grupo de acadêmicos situa-se na média em 60. Ou seja, as IES Públicas/Presenciais trabalham com alunos com um nível de formação geral melhor. Fato este que já é conhecido há décadas, pois estes alunos, em sua maioria, têm boa formação curricular desde a educação infantil ao pré-vestibular. A nota de conhecimento específico (que mede a competência do aluno na profissão cursada) deste grupo ficou na média em 49, relativamente baixa para o perfil de aluno. Quando se faz a diferença entre a nota de conhecimento específico e a de formação geral (CE-FG), obtém-se uma diferença de -11,6.

IES Privadas/Presenciais. A nota média de formação geral deste grupo de alunos é 53, abaixo dos alunos das IES Públicas/Presenciais (-7). A nota média de conhecimento específico é 43, com uma diferença de -9,3 pontos em relação à FG. Esta categoria de IES trabalha com alunos mais jovens, entre os quais os que não passaram no vestibular das IES Públicas/Presenciais “gratuitas”. Esses estudantes possuem um bom nível de escolaridade e disposição para frequentar uma instituição presencial seja no período diurno ou noturno. Portanto, o desempenho no conhecimento específico poderia ser melhor, mas está compatível com o perfil das Públicas.

IES Públicas/EAD. A nota média de formação geral deste grupo de estudantes é 52, abaixo dos alunos das Privadas/Presenciais em 1 ponto; e 8 pontos abaixo das Públicas/Presenciais. A nota média de conhecimento específico é 40, com uma diferença entre CE e FG de -11,9 pontos. Observa-se aqui um desempenho um pouco abaixo do esperado para o perfil cultural do aluno, pois este grupo trabalha com um aluno de melhor formação geral em relação às IES Privadas/EAD.

IES Privadas/EAD. A nota média de formação geral deste grupo de estudantes é 47, abaixo dos alunos das Públicas/EAD em 5 pontos, 6 pontos abaixo das Privadas/Presenciais e 13 pontos abaixo das Públicas/Presenciais. A nota média de conhecimento específico é 42, com uma diferença entre CE e FG de -5,2 pontos. Pode-se afirmar que as IES Privadas/EAD têm alunos com formação em escolas públicas, ausência prolongada de estudos por período superior a 10 anos, dedicados ao trabalho em expediente integral, e moradores de cidades pequenas de regiões desprovidas de alta proficiência acadêmica ou das periferias das grandes cidades. Apesar dessas limitações, as IES Privadas/EAD apresentam um desempenho compatível com seu perfil de aluno, pois a diferença entre a nota de conhecimento específico e a de formação geral é a melhor entre todas as categorias anteriormente analisadas. Dentre as 10 IES Privadas/EAD com mais alunos matriculados em 2022, destaca-se a Uninter, com uma nota de conhecimento específico acima da média das IES Privadas/Presenciais.

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Conclusão
Não há nada de errado com a modalidade de Educação a Distância (EAD). Pelo contrário. Os resultados do Enade 2022 demonstram um equilíbrio na qualidade da aprendizagem proporcionada por instituições de ensino superior (IES) presenciais e de EAD. Inclusive, em alguns casos, quando se mede a diferença entre conhecimento específico e formação geral, a EAD assume a liderança.

Dentre as 10 IES Privadas/EAD com mais alunos matriculados em 2022, quatro (Uninter, Unicesumar, Unopar e Unip) atingiram conceito Enade absoluto faixa 3, que as coloca em pé de igualdade com a média das IES Privadas/Presenciais. Indo além, surpreende o resultado da nota de conhecimento específico da Uninter (44), que a coloca à frente da média das IES Privadas/Presenciais (43). Percebe-se que a instituição, mesmo recebendo um aluno com mais dificuldades na formação geral, consegue transformá-lo, agregando muitas competências profissionais.

É preciso entender que o problema da falta de qualidade na educação superior não está atrelado à modalidade de ensino. A EAD, quando feita com qualidade, é uma solução que democratiza o acesso ao conhecimento a milhões de brasileiros que, até então, estavam excluídos, seja por barreiras sociais, geográficas, financeiras e até pessoais.

Uma EAD de qualidade exige altos investimentos por parte das IES, tanto públicas quanto privadas. São necessários ambientes virtuais de aprendizagem robustos e tecnológicos, aulas bem preparadas e materiais didáticos especializados, assim como professores experientes e comprometidos, na maioria mestres e doutores.

No caso de cursos de graduação cujas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) exijam atividades práticas para a formação de alunos, a EAD também consegue entregar aprendizagem de qualidade. Em relação aos cursos da área da saúde, por exemplo, a polêmica se tornou ainda maior porque muitas IES realizam as atividades práticas por meio de simuladores virtuais. No entanto, há algumas poucas (e boas) IES que adotam o modelo EAD-Híbrida, em que contam com laboratórios físicos implantados em seus polos, de maneira a atender, de forma análoga aos cursos presenciais, todos os conteúdos práticos previstos nas DCN. Essas últimas deveriam ser reconhecidas e enaltecidas, pela proposta pedagógica inovadora e bem-sucedida.

Dado o exposto até aqui, pode-se concluir que o desempenho abaixo do esperado de algumas IES no Enade 2022 não está relacionado à modalidade de ensino na qual atuam, mas sim a falhas individuais e específicas de determinadas instituições que priorizaram o lucro em detrimento da qualidade de educação (independentemente da modalidade de ensino). Dessa forma, não são justos os ataques que têm sido feitos à EAD. O MEC deve, sim, fazer ajustes na regulação do ensino superior. Penalizar as IES que não estão realizando um bom trabalho de formação de seus alunos. No entanto, para curar o câncer, não pode matar o paciente. A EAD é fundamental para o desenvolvimento do Brasil.

Até o dia 20 de novembro, o MEC está realizando uma chamada pública para ouvir a opinião da população sobre a Educação a Distância no Brasil. Junte-se a nós e defenda a continuidade dos cursos EAD com qualidade. Dê sua opinião em: https://www.gov.br/participamaisbrasil/educacao-a-distancia

Fonte:Bem Parana

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