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Sex, Abr

ONU adota primeira resolução global sobre uso da inteligência artificial

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Texto, aprovado por unanimidade, enfatiza a necessidade de se promover sistemas de IA "seguros e confiáveis", diante de seu rápido desenvolvimento e uso na sociedade

Texto, aprovado por unanimidade, enfatiza a necessidade de se promover sistemas de IA "seguros e confiáveis", diante de seu rápido desenvolvimento e uso na sociedade

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução para promover sistemas de inteligência artificial "seguros, protegidos e confiáveis", um dos esforços mais importantes para estabelecer padrões globais para a nova tecnologia em rápido crescimento.

A resolução, proposta pelos Estados Unidos e que teve apoio de mais de 110 países incluindo China e Índia, foi aprovada por unanimidade entre as nações da ONU. Não houve uma votação formal, mas foi obtido um consenso.

A proposta incentiva os membros a apoiar o desenvolvimento "responsável e inclusivo" de IA por meio de regulamentações e governança domésticas.

Em setembro passado, o presidente dos EUA, Joe Biden, destacou a necessidade de regulamentar a IA em um discurso perante a Assembleia Geral em Nova York, e foi um dos principais itens da agenda quando ele se encontrou com o líder chinês Xi Jinping em novembro.

Ainda assim, a pressão de Washington na ONU contrasta com a falta de regulamentações fortes no país, apesar dos pedidos de ação de legisladores e empresas, incluindo a Open AI, criadora do ChatGPT. A China implementou diretrizes rígidas, enquanto a União Europeia aprovou a lista mais abrangente de regras de IA do mundo.

Washington encarregou dezenas de embaixadas de fazer lobby junto a governos de todo o mundo em favor de regulamentação da IA, de acordo com uma autoridade sênior dos EUA que pediu para não ser identificada. Países como a Rússia e o Irã se envolveram nas negociações, disse outra autoridade.

"A resolução aborda diretamente as prioridades de muitos países em desenvolvimento, como o incentivo à capacitação em IA e o aproveitamento da tecnologia para promover o desenvolvimento sustentável", disse o conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, em um comunicado, acrescentando que as negociações levaram quase quatro meses.

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A resolução, no entanto, não abrange o uso militar da inteligência artificial, outra preocupação crescente para a comunidade internacional, já que potências como os EUA e a China correm para incorporá-la em suas forças armadas. Washington usou a IA para identificar alvos no Oriente Médio este mês, e Israel também está contando com novas tecnologias em sua guerra contra o Hamas.

- Esperamos que essa resolução não represente o fim de nossa colaboração em torno dessa questão fundamental. Esperamos que o diálogo inclusivo e construtivo que levou a essa resolução sirva de modelo para futuras conversas sobre os desafios da IA em outras áreas, por exemplo, com relação à paz e à segurança e ao uso militar responsável da IA - disse Linda Thomas-Greenfield, embaixadora dos EUA na ONU.

O conselho consultivo de IA da ONU, criado no ano passado pelo Secretário-Geral Antonio Guterres, alertou em um relatório recente que a governança permanece "territorial e fragmentada" e pediu aos países que intensifiquem os esforços de regulamentação nacional e internacional para evitar "déficits de responsabilidade".

Enquanto isso, Volker Turk, chefe de direitos humanos da ONU, também tem dado o alarme sobre os perigos representados pelo uso não regulamentado da IA. Durante uma viagem à Califórnia no mês passado, Turk participou de vários debates sobre o assunto e se reuniu com figuras influentes no espaço da IA, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman.

Entre outras diretrizes, a nova resolução da ONU exige a proteção da privacidade e dos dados pessoais por meio do desenvolvimento de "salvaguardas eficazes", incluindo segurança física e sistemas de gerenciamento de riscos.

Ela também se concentra em fechar a lacuna entre os países mais ricos e os mais pobres, pedindo aos membros da ONU que se envolvam "urgentemente" com as nações em desenvolvimento em questões como transferências de tecnologia, assistência técnica e financiamento.

A resolução também destaca as proteções aos direitos humanos no contexto dos sistemas de IA e "reafirma que os mesmos direitos que as pessoas têm off-line também devem ser protegidos on-line".

Fonte: O Globo

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